US Open 2020: nervos à flor da pele

O primeiro Grand Slam ainda com a pandemia solta pelo mundo foi marcada por uma sensação nervosa para mim. Uma sensação que me passou falta de liberdade, um mundo pelo menos estranho para nós que estamos acostumados a ver as quadras repletas com os loucos espectadores do tênis em Nova York.

Me senti um pouco triste, mas ao mesmo tempo feliz de ver os grandes tenistas em ação.

Sem dúvida, senti muita falta de Rafael Nadal e do gênio Mestre dos Magos Roger Federer.

Nadal optou por ficar no saibro da Europa, dando preferência em sua preparação para Rolland Garros e Roger só volta em 2021, devido a recuperação de uma cirurgia.

Mas vamos ao evento:

Os destaques ficaram por conta dos mais novos que estão lutando pelo seu lugar ao sol, amadurecendo, mas mostrando que estão com muita fome de bola.

O canadense Aliassime, muito jovem, bateu Andy Murray, incontestável, em 3 sets diretos e só parou no campeão Thiem, mostrando que ainda precisa comer muito arroz e feijão no quesito experiência.

O jogador que, a meu ver, marcou tremenda bobeira, foi Tsitsipas, teve o jogo na mão contra o croata Borna Coric e acabou rodando. Faltou a parte psicológica que sempre escrevo ser seu maior tendão de Aquiles. Discutiu com seu pai vencendo por 5/1 no quarto set, conseguindo perder esse set e o jogo.

Shapovalov, outro que fiquei feliz, em vê-lo mais maduro, procurando trabalhar mais os pontos e quadra, antes de ir para as bolas decisivas. Perdeu para Busta no quinto set depois de ter ganhado de 6/0 o quarto set. Típico de um relax após vencer fácil um set. O espanhol soube cozinhar o canadense e se manteve uma rocha nas trocas de bola, esperando que o garoto cometesse erros não forçados, levando o jogo.

Destaque também para De Minaur, que perdeu para o campeão Thiem, mas mostrou que esta ai pronto a beliscar os maiores e conquistar espaço. Também Rublev jogou excelente torneio derrotando Berretine, num duelo gigante de forehands, sucumbindo para o leão das quadras duras Medvedev.

Medvedev chegando até as semifinais como um rolo compressor, parou somente num perfeito Thiem, que soube neutralizar seus golpes flats potentíssimos, não abrindo ângulos ao russo e indo para as bolas em momento oportuno.

Thiem usou muito seus golpes mais ao centro onde Medvedev não sabia o que fazer, ficava somente nas trocas, onde era pego com incríveis paralelas desferidas, principalmente com o backhand de Thiem e fantásticos inside outs do austríaco. Thiem usou sabiamente seu saque abrindo enormes ângulos de ambos os lados, tirando o russo da quadra e tomando sempre a iniciativa dos pontos.

Thiem chegou à final com ares de imbatível contra um Zverev vindo de vitórias não tão convincentes, com muitas dificuldades. Muito beneficiado por mais uma besteira feita por Novak Djokovic, que conseguiu ser desclassificado depois de acertar uma bolada em uma juíza de linha. Lamentável. Djokovic vem de uma série de péssimas decisões no ano de 2020, que não vale a pena nos aprofundarmos aqui.

A final particularmente me surpreendeu nos 2 primeiros sets. Esperava que Thiem fosse arrasador, e que bateria Zverev em 3 sets diretos, tranquilamente.

O que vi, foi um Zverev demonstrando um fantástico tênis, com estratégia perfeita e psicologicamente determinado. Começou dominando completamente o jogo, não ficando em longas trocas de bola, indo muito para as bolas ganhadoras na paralela, quando Thiem abria os ângulos, procurando a rede com precisos aproachs e definindo muitos pontos nos voleios, inclusive sacando e voleando diversas vezes. Atacou demais também com seu forehand, demonstrando incrível confiança.

Thiem por sua vez, parecia completamente perdido em quadra, sem saber o que fazer e cometendo muitos erros não forçados.

Tudo caminhava para uma vitória do alemão em 3 sets diretos, quando num 5/3 no terceiro set, simplesmente deu branco. Começou com duplas faltas, erros não forçados.

Thiem observando o que acontecia, começou a entrar em jogo, ficando nas trocas e abraçando a enorme janela que Sasha abria, que simplesmente parava de jogar.

Demonstrando claramente que sentia a pressão em finalizar o jogo, Zverev passava ares de impotência em suas feições. Começou a dar dó do alemão.

Thiem abraçou o jogo, entrou em ritmo, venceu o terceiro e quarto sets.

O quinto set, um desespero total de nervos de ambos os lados, com quebras de saques, erros não forçados, chegando a um tiebreak com o austríaco mancando, demonstrando sério problema em sua perna esquerda.

O alemão completamente perdido praticamente entregou de bandeja o tiebreak e jogo, para um Thiem que se segurava para ficar em pé e manter as bolas na quadra.

Dominic Thiem venceu seu primeiro Grand Slam merecidamente, mas com uma sombra pela saída de Djoko e ausência de Nadal e Federer.

Vencido seu primeiro Grand Slam, depois de haver perdido 3 finais em jogos duríssimos com chance de vitórias contra Djoko e Nadal, penso que terá grandes chances de vencer uma futura final de GS contra uma das lendas.

Talvez Rolland Garros contra Nadal? rssssss.

No feminino, vitória da fantástica e minha preferida, a Samurai Naomi Osaka. Bateu a guerreira Vika Azarenka no terceiro set, depois de haver perdido o primeiro set.

Iniciou o jogo meio dormente com uma Vika perfeita e determinada, mas assim que entrou em jogo a partir do segundo set, fulminou Azarenka com golpes cada vez mais velozes e precisos.

Vence seu terceiro GS, com apenas 22 anos e tem muito a conquistar ainda.

Sou fã de Naomi como jogadora e pessoa, demonstrando sinceridade em atitudes, palavras e posicionamentos.

Destaques para Serena Williams que fez fantástico evento e mostrando que ainda é perigosíssima.

Decepções que se foram no início e que esperava muito mais: Kvitova, Muguruza, Kenin, Pliskova.

Bom, seguimos agora com o fantástico torneio de Roma.

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Grande abraço e até a próxima.

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