Djokovic e Halep: os campeões de Wimbledon

Hoje irei me prolongar um pouco. Fiquem comigo ok? rs

No feminino, vitória de Simona Halep, vencendo Wimbledon pela primeira vez. A romena entrou determinada e com estratégia bem definida, contra uma Serena amarelada.

Halep entrou decidida em segurar os rojões da norte-americana, procurando movimentar Serena ao máximo. A americana ainda apresenta grandes dificuldades em movimentar-se. Outras jogadoras respeitaram Serena e não conseguiram movimentar a bola como a romena fez.

A americana já havia escapado da derrota em vários jogos, procurando definir os pontos disparando winners nas primeiras oportunidades que surgiram. Não conseguiu o mesmo contra Simona, mostrando claramente nervosismo na final.

Triunfo merecido da guerreira Simona Halep em sua segunda conquista de Grand Slams.

No masculino, a história continua sendo escrita pelos gênios. Antes de escrever sobre as finais, obrigatoriamente, tenho que priorizar as semis masculinas.

A primeira semifinal foi um ótimo jogo. Djokovic confirmou o que todos esperavam, batendo Roberto Bautista Agut em 4 sets. Djoko durante todo o torneio até a final, não teve nenhuma real ameaça. Apesar do espanhol ter feito um de seus melhores jogos, beliscando 1 set, Djoko mostrou o porquê é o número 1 atualmente. Na hora de mais pressão soube se impor e resolver a parada.

Novak Djokovic 2019 Wimbledon
Foto: AELTC/Simon Bruty

A diferença fica evidente, quando em horas importantes o espanhol cometeu pequenos erros, o que não aconteceu quando Djoko se encontrou na mesma posição. Contra Djoko, esses erros são imperdoáveis. Talvez Nole abra algumas janelas, caso o adversário não esteja muito solido e aproveite, o sérvio não perdoa.

Mas as semifinais masculinas, foram marcadas com fogo e escritas no eterno livro dos Deuses do esporte, com o jogo entre Roger Federer e Rafael Nadal. Certamente o jogo mais esperado do torneio, até aquele momento, o espetáculo do maior clássico de todos os tempos, entre os grandes rivais e amigos.

O grande respeito entre os 2 enalteceu o duelo e emocionou a todos que presenciaram o jogo. Quem conhece e acompanha a carreira desses dois gigantes, percebe claramente o amor pelo tênis e o espírito maior da competição positiva, no seu ápice.

Confesso que antes, estava em dúvida quanto à vitória do Mestre dos Magos Federer contra Nadal. Mais uma vez ele nos surpreende. Até então, não havia me convencido, mesmo com sua vitória em Halle, onde jogou apenas o suficiente para vencer, mas longe de suas melhores atuações. Com a grama bem seca e mais lenta, devido ao calor de Londres, penso que na visão de todos, Nadal tinha uma certa vantagem.

Com um jogo agressivo, desde o início, me surpreendeu principalmente nas respostas de saque. Estas foram muito precisas e fundas, pressionando Rafa o tempo todo e neutralizando várias vezes a possibilidade de o espanhol comandar o ponto. O espanhol, que muitas vezes ficava mais atrás na resposta, era batido hora com o saque bem aberto, hora com o saque no meio preciso, quase sempre em cima da linha. Roger vinha a rede e deu uma aula de como volear na grama, sempre voleando mais curto com um leve toque de slice, matando o ponto ou dificultando a possível reação de Nadal, que conseguiu pouquíssimos passing shots. Assim, ele venceu o primeiro set apertado, jogando muito bem o tie break.

No segundo set, Roger começou meio relaxado, aparentando os famosos lapsos que tem inexplicavelmente às vezes. Com muitos erros não forçados e as famosas batidas espirradas, perdeu de 6/1, aparentando que havia desistido ou se poupando do desgaste de buscar uma reação.

Na terceira etapa, Federer voltou a jogar em um nível impressionante, inclusive com potentes trocas de bola, buscando seu forehand disparando winners. Encontrou novamente o equilíbrio do seu backhand, alternando batidas com slices, quebrando o ritmo de Rafa e abrindo oportunidades de atacar. Quebrou o saque do espanhol vencendo por 6/3.

Nadal sacou muito bem toda a partida, mas Roger respondeu demais. O espanhol, em uma situação que eu jamais havia presenciado, sentiu a pressão, inclusive falando várias vezes com seu time, cena que nunca tinha visto.

O quarto set, na minha opinião, seria crucial para o suíço. Na minha visão, Roger teria que vencer ou vencer o jogo no quarto set. Acho que se Rafa tivesse ganho esse set, ganharia o jogo.

Nunca tinha visto Fed tão concentrado e jogando com tanta vontade todos os pontos. Surpreendeu Nadal que certamente sentiu a avalanche de golpes do Mestre dos Magos. Federer foi perfeito, seu jogo fluiu com uma velocidade gigante, reagindo a qualquer tentativa do espanhol. Jogou como se fosse seu último jogo.

Inclusive, num dos mais emocionantes games do torneio, deixou a todos suspirando com seu call em um deuce, onde havia feito uma resposta de saque perfeita, o challenge mostrando que o saque de Nadal havia entrado, perdendo um possível match point entre outros. Nadal fez seu serviço e Roger sacaria em outro incrível e emocionante game para fechar a partida atacando com seu forehand e erro de Nadal.

Rafael Nadal e Roger Federer 2019 Wimbledon.jpg
Foto: Divulgação/Wimbledon

O Mestre dos Magos comemorou muito e a emoção estava em sua face num abraço fraterno em seu maior rival e amigo.

A decisão

A final foi marcada pelos nervos à flor da pele. Djoko num jogo que estava mais para ser resolvido no par ou ímpar, sagrou-se campeão com 7/3 no tie break depois de chegarem empatados em 12 a 12 no quinto set.

No primeiro set, depois de cada um manter seu saque chegando 6/6, Nole começou bem no tie-break. Ele abriu 3/1, mas logo na sequência Federer reagiu ganhando 4 pontos seguidos, fazendo 5/3. Depois disso, inexplicavelmente, Roger comete 4 erros seguidos e permitiu que Djoko vencesse por 7/5.

No segundo set, penso que Djoko perdeu a medida de relaxar e saiu totalmente de jogo. O sérvio errou muito e parecia aqueles dias que estava em depressão. Federer também começou firme, comandando os pontos e aproveitando a viagem de Nole. Fed fecha em 6/1.

No terceiro set, Federer não soube converter as várias chances que teve, não aproveitando as oportunidades de ter vindo mais rede. Insistiu demais em ficar no fundo trocando bolas, principalmente no backhand de Djoko.  Em muitas ocasiões, tinha a quadra totalmente aberta no forehand de Djoko, mas voltava ao backhand cometendo erros não forçados. Não entendi. Djoko vence o terceiro no tie break 7/6, com 4 erros seguidos não forçados de Roger.

Quarto set com Nole oscilando no início, Federer quebra o saque e abre 5/2. Djoko volta quebra de volta chegando a 4/5. Federer num impecável game fecha 6/4. O quinto set foi marcado pelos nervos. Ambos quebraram o saque e mantiveram os seus até que no 7/7, Federer quebra o saque de Nole e saca 8/7 com 40/15 e 2 match points.

O suíço viu o título e troféu em suas mãos, que seria sua nona vitória em Wimbledon. Deixou escapar pelos dedos, afobado atropelou o game, com Djokovic dando um belo passing shot na cruzada e levando o sonho de Roger.

Novak Djokovic Roger Federer Wimbledon 2019
Novak Djokovic (SRB) hugs Roger Federer (SUI) after winning the Gentlemen’s Singles final on Centre Court. The Championships 2019. Held at The All England Lawn Tennis Club, Wimbledon. Day 13 Sunday 14/07/2019. Credit: AELTC/Joel Marklund

Ambos mantiveram seu saque até 12/12 onde agora se joga um tiebreak. Certamente bateu a retrospectiva de Djoko haver vencido os 2 tie breaks anteriores.  Muito difícil para Federer ter perdido a oportunidade no 8/7 e 40/15, ter conseguido manter-se até o tie break no 12/12. Em sua cabeça certamente pesou os 2 tie breaks perdidos anteriormente.

Djokovic fechou e conquista o título pelo segundo ano consecutivo. Nas horas importantes no final mérito total de Djoko que conseguiu ficar muito solido nas trocas de bola, sabendo que Roger poderia passar a medida de suas cartas na manga e errar. Confesso que torci por Federer que talvez tenha deixado passar uma de suas últimas oportunidades de vencer um Grand Slam.

Mas duvidar do Mestre doa Magos? JAMAIS. O jogo flui para ele como a canção para um grande compositor. Impossivel duvidar desses 3 gênios, heróis de nosso esporte: Federer, Nadal e Djokovic. Cada um com seus superpoderes.

Sorte nossa de poder estar presenciando.

Abraços e até a próxima.

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