Os pais de tenistas

Queridos amigos, sobre esse assunto poderia facilmente escrever um livro. São tantas histórias que presenciei, algumas divertidas, outras bem difíceis de lidar e nada engraçadas.

Começando, logo que parei de jogar no circuito profissional, fui dar treinos e aulas nos EUA, na querida Sunrise Tennis Academy, Florida. Foram 4 anos onde treinei diversos jovens com diferentes objetivos e alguns profissionais. Mas voltando ao assunto de hoje, já lá nos EUA, tive casos interessantes com os pais. Em especial, tive uma aluna, menina de 14, super esforçada, amava jogar tênis e tinha uma mãe que queria viver sua vida através da filha.

Essa menina treinava 2 horas por dia comigo e depois ia para mais 1h30 de preparação física. Estava entre as 3 melhores do estado da sua categoria e realmente jogava muito bem. Percebi logo de cara que teria um problema com a mãe. O pai, coitado, acenava com a cabeça no que a mãe falasse. Eram brigas e tempestades quando a menina perdia. Ganhava quase todos os torneios que jogava, mas quando perdia…. Meu Deus!

A menina era casca grossa: enfrentava a mãe, tinha personalidade forte e realmente gostava do esporte. Como a garota peitava a mãe e encarava a situação, tudo bem. Até um jogo fatídico, onde ela jogaria as quartas de final do Orange Bowl contra uma colombiana cabeça de chave 3 do torneio. Num belo jogo, duríssimo, minha pupila perdeu no detalhe, terceiro set no tie-break. Na volta, eu estava no carro junto com elas e a mãe detonou a menina, que acabava de perder uma batalha digna, onde qualquer uma das 2 poderia ter saído vitoriosa, com a menina chorando. Não aguentei e falei o absurdo e injusto o que ela estava fazendo e que não treinaria mais a garota nessas condições. Para resumir, final feliz, a mãe se afastou e nunca mais brigou com a filha.

Essa é só uma pequena história de centenas que presenciei. Outra engraçada, de quando tínhamos nossa academia – a ONCINS TENNIS – e um pai trouxe o filho para fazer um teste, perguntando a meu irmão Alexandre se valeria investir no garoto. Resposta do Ale: meu caro amigo se você quer investir, vá a um banco, rs. No seu filho não é investimento e sim educação.

Chegamos a apartar briga entre pais de garotos de 10 anos, no qual um dos pais falava para seu filho roubar, pois o seu adversário havia roubado.

Cada história incrível de pais. Logicamente quando vemos um garoto jogar, observando seu comportamento, já dá para ter uma ideia de como são os pais.

Na realidade o tênis não é só um aprendizado aos garotos que jogam, mas aos pais também. A parte emocional, num esporte individual como o tênis, coloca todos os holofotes na criança que está lutando pela sua sobrevivência, enfrentando seus medos e toda a pressão que vem com isso.

Logicamente que na parte educacional como: comportamento adequado, honestidade na quadra, exigir dedicação aos treinos e jogos, a cobrança dos pais se enquadra.

Mas a cobrança por vitorias não é justo. Logo que começa a competir, a criança enfrenta um mundo totalmente novo, emocionalmente difícil, e provavelmente vai encarar algumas ou várias derrotas, até entender como lidar com seus sentimentos e o que está passando em sua cabeça.

Cabe aos país serem amigos e ajudar. Mas como?

Converse muito com seus filhos, ajude-os a enfrentar os desafios com calma. Ensine-os a respirar entre os pontos. Incentive-os quando olharem para fora da quadra buscando força. E sejam ótimos ouvintes. Deixem a criança externar o que sentiu na quadra. Também assistindo ao jogo, mantenham uma postura calma e confiante. É difícil, mas tentem, rs.

Acima de tudo, o mais importante: tenham um ótimo técnico que treine seu filho, que confiem no que está sendo ensinado, e não se metam na parte técnica ou estratégica do jogo. Isso cabe única e exclusivamente ao treinador. Caso alguma dúvida a respeito do treino, questionem o técnico.

Com seus filhos apenas desempenhem o papel de pais e grandes amigos de seus filhos, pois isso sempre irá muito além do tênis ou qualquer outra coisa em suas vidas.

Um abraço e até a próxima.

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