Dica psicológica: Leão no treino e gatinho no jogo

Uma coisa que é muito recorrente no tênis é vermos vários jogadores que no treino jogam muito bem e quando jogam jogos oficiais ficam praticamente irreconhecíveis. Falou a palavra play, as nuvens ficam negras. Também acontece o oposto, jogadores que no treino não performam tão bem e quando jogam torneios melhoram exponencialmente.

O desafio é a grande questão. Como o jogador digere mentalmente a situação. A importância que ele dá. Por que ele é capaz de realizar grandes treinos e no jogo não fazer quase nada? Sair tremendamente frustrado, com uma sensação de impotência e não saber por que? É a cabeça irmão, rs.

Isso não acontece somente com os amadores, mas também com muitos jogadores que começam a participar do circuito profissional. Às vezes acontece também com jogadores bem ranqueados. Vejam o que aconteceu com Dimitrov esse ano? Ano de 2017 brilhante e esse ano 2018, péssimo. Decisões, atitudes negativas e equivocadas.

A maneira como o jogador encara a pressão e o peso que dá ao momento influenciam diretamente na performance. Mas a pergunta é: se o jogador é quem dá importância ao momento, ele tem o poder de alterar isso, concordam? Eu treino diversos alunos que apresentaram esse problema e cobro muito para fazerem o que treinamos juntos, na hora do jogo. Logicamente não é tão simples, mas as decisões precisam ser tomadas em algum momento.

Na vida é assim, igualzinho na competição. Alguns respondem que ainda não se sentem preparados para executar, que precisam de mais tempo. Mais tempo para que? Se no treino já realizam os golpes e jogadas com confiança e precisão? Brinco, mas sério, que você só faz, fazendo. O quero dizer com isso? O jogador tem que decidir fazer um contrato consigo mesmo que irá realizar o planejado, independentemente do resultado. O resultado ficará em segundo plano. A execução do planejado e acordado, vem em primeiro lugar.

Prender-se ao resultado trava a performance. Afinal, jogamos tênis por prazer em primeiro lugar ou não? O prazer de executar um golpe bem solto, a conquista do ponto, a realização de uma estratégia e sucesso, marcam como fogo na alma. O jogador certamente vai querer repetir o feito e atitude. Essa atitude de decidir e realizar, é o que dá confiança. É um constante treino, até que isso fique mais natural.

Certamente não é tão simples, como todas as decisões que devemos tomar, decidindo realizar isso em todos os jogos que fazemos. Uma vigília constante, cada vez que se entra na quadra. Ganhar jogando muito abaixo do potencial, não executando na plenitude o que já se sabe, por medo e insegurança, não rega e nutri a confiança. O jogador ganhará de um jogador abaixo do seu nível, mas quando for mais exigido a performar com um jogador de maior nível, já era. E perder de um jogador que sabemos que poderíamos ganhar, jogando abaixo do nível, segurando o jogo, nem se fala…

Agora, se decide a performar e consegue soltar-se quando exigido, poderá até subir seu nível de jogo, podendo ganhar de um jogador teoricamente melhor que ele próprio. O que falo aos meus alunos é, encarar os jogos como treino, dar um peso menor ao evento, mudar o referencial mental. Não existe a obrigação de vencer. O que tem de existir é o prazer de fazermos o que gostamos e as vitórias e derrotas são consequências. Também é possível que se jogue tremendamente bem um dia e se perca o jogo, pois o outro jogou melhor. A diferença aí, é que não se perde a confiança, e sim a vontade de treinar mais e melhorar. Portanto decida-se.

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