Sascha Zverev: O maior nome da nova geração assume seu poder

Há um bom tempo atrás, quando ainda era um Next Gen, mencionei que o jovem alemão seria o próximo número um do mundo.

Enxerguei um potencial enorme no jogador Alexander Zverev. Os potentes golpes, envergadura e talento me fizeram olhar o tenista futuro ideal. Lógico que ajustes a complementar o quadro. Na época, há uns 2 anos atrás, faltava um percentual maior de primeiros saques, (pecava no lançamento muito atrás da cabeça, não conseguia aproveitar sua envergadura) e jogava muito com o segundo saque. Sasha também sentia-se incomodado em correr para a frente e não tinha muita familiaridade na movimentação na rede.

Mesmo assim, conseguiu destaque entre os mais jovens e teve os melhores resultados, com conquistas relevantes e conquistando espaço entre os 3 melhores do mundo, atrás de Nadal e Federer enquanto Djokovic passava pelo seu inferno astral. Nesse tempo, o tenista de Hamburgo perdia muitas vezes jogos que deixava escapar entre os dedos, com posturas juvenis e também jogando na defensiva em varias ocasiões, usando praticamente uns 40% do seu potencial.

Eu ficava frustrado com o que via, pois, um jogador com o potencial de fogo que ele tem, me parecia um cara que tem uma Ferrari só que dirigindo com um Fusca. Comentei várias vezes em nossos podcasts que ele precisava ser mais agressivo, vislumbrar sempre subir seu nível de jogo e não ficar jogando muitas vezes na defensiva como estava atuando em vários jogos, abrindo janelas e perdendo jogos que deveria sair-se vitorioso.

Comento sempre com meus amigos e alunos, “o tênis não segura resultados”. O jogador nesse nível tem que mandar no jogo, caso contrário seu adversário fará isso. Os boatos surgiam que ele estava negociando com um ex-número 1 do mundo para integrar o time. Ufa, agora vai pensei! Dai apareceu Ferrero, que na minha opinião não foi a opção mais acertada. Sem desmerecer Ferrero, mas a característica de jogo do espanhol não me agradava na orientação de Sasha.

O alemão necessitava de um estrategista, que fizesse que ele assumisse mais riscos usando suas armas e que o tornasse mais agressivo jogando mais para a frente. Longe de fazer com que Sasha fosse um sacador e voleador, que não é sua característica natural, mas que construísse o jogo para frente, consequentemente terminando com um voleio em várias possíveis ocasiões.

O jogo do alemão, quando agressivo, machuca e muito do fundo. Na minha opinião ele tem um fantástico backhand com 2 mãos que faz o que quer com a bola, e no seu forehand deveria sempre arriscar mais, pois quando solta o braço faz buraco na quadra. Podemos observar que sempre que ele quer somente passar a bola com o forehand, deixa sobrar bolas curtas ou ficam na rede. Isso lhe tirava a confiança, acontecendo cada vez mais erros. Quando ataca com o forehand rega sua confiança, mesmo que às vezes erre.

O alimento da capacidade de decidir fortalece o jogador, ainda mais nesse nível. Quando mudou para a orientação de Ivan Lendl, fiquei feliz. Um cara determinado, que foi inovador em sua época, obstinado pela evolução e aperfeiçoamento do seu jogo. Lendl sempre foi um jogador muito corajoso, personalidade forte e atuava muito bem na pressão. Logicamente quando se muda de técnico existe um processo de absorção para vermos possíveis efeitos. Para o técnico pegar um jogador nesse nível, mudar a maneira de pensar e incutir o que pensa, muitas vezes não é fácil. Existe um namoro e possível conquista da confiança por parte do técnico. Muitas vezes o jogador fica relutante.

Bom, finalmente enxerguei essa mudança em Sascha Zverev no ATP Finals de Londres. O tenista de 21 anos de idade estava determinado desde o início a adotar uma postura ofensiva e foi construindo seus acertos e persistindo até a final. Talvez a primeira derrota na fase de grupos para Nole tenha sido a cereja do bolo para que ele finalmente adotasse a postura ofensiva que teve na final e assumisse seu poder num jogo completamente diferente do que foi o primeiro.

Na semifinal, buscou com determinação contra Roger Federer, mas com o Mestre dos Magos abrindo várias janelas, longe de seus melhores dias. Na final, o quebra cabeça se apresentou por inteiro, num dia que o mundo pode ver o alemão na plenitude de seu jogo. Sacou incrível, explorando os saques abertos no forehand de Djoko, fazendo diversos aces em horas importantes tanto no deuce, quanto na vantagem. Atacou bastante as respostas, trabalhou muito bem as trocas de bola aguardando o momento certo para atacar, contra-atacou muito bem, e veio à rede atrás de deslocamentos finalizando com voleios.

Em sua declaração, após a vitória, logicamente elogiou seu pai treinador que construiu seu jogo, comentando que ele era o melhor técnico do mundo, seu preparador físico, que sem dúvida está fazendo um excelente trabalho, sua família, amigos e finalmente Lendl, com certeza a “cereja do bolo“.

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