Hoje posso falar de boca cheia aquela famosa frase: “Cantei essa bola quatro anos atrás, rs!”.
Desde a primeira vez que assisti Jannik Sinner jogar, na época o NextGen, ou nova geração onde os jovens profissionais fazem um Masters de novatos, fiquei encantado e motivado a afirmar na época, que Sinner seria número 1 do mundo.
Meus olhos se encantavam com o arsenal de golpes confiantes, onde o italiano sem hesitar, disparava seus mísseis vencendo os outros garotos e torneio implacável. Talvez uma intuição de tenista, mas meu prognóstico veio tão naturalmente para mim, que resolvi seguir o garoto e esperar para ver. Na época, Sinner já figurava entre os 70 do mundo e se destacava com vitorias esporádicas sobre grandes jogadores despertando a atenção do mundo do tênis com a incrível velocidade que batia seus golpes.
O que me impressionava demais é que não ganhavam dele, e sim ele mesmo vencia ou perdia o jogo por seus acertos ou erros. A característica muito marcante de Jannik é que ele sempre tomava a iniciativa e comando dos pontos, mas na época faltavam complementos. Sua movimentação rápida, com os joelhos mais dobrados, jogando posicionando-se em cima da linha, fazia com que apertasse seus adversários o tempo todo.

A Itália sempre foi um país de jogadores supertalentosos, mas não tão constantes e faltavam grandes títulos aos jogadores que passaram. Com seu time de coachs e o principal era Riccardo Piatti. Sinner jogava quase o tempo inteiro do fundo, seu saque deixava a desejar com pouco percentual de primeiros saques, e do meio da quadra para frente até a rede era um mundo não tão explorado por ele ainda. Podia perceber que não era falta de habilidade, somente que não era familiarizado em jogar tanto na rede.
Faltavam complementos, mas o garoto continuava evoluindo e conquistando vitórias, crescendo no ranking. Acompanhava todos os jogos que eu tinha conhecimento e marcou demais para mim que Sinner sempre estava evoluindo em algum aspecto e sempre quando perdia para algum jogador, na repetição do confronto, o jogo era duríssimo ou vencia. Jannik é como uma esponja de aprendizado, possui a humildade dos sábios onde não deixa seu ego negativo prevalecer em hipótese alguma.
Quando incorporou Darren Cahil, técnico australiano em seu time, comemorei. Darren conhecido treinador de alguns jogadores e jogadoras que chegaram ao topo do ranking, era a fórmula que faltava, onde certamente seu saque evoluiria, bem como seu meio de quadra e chegadas à rede, evoluindo voleios e finalizações. O trabalho mental claramente foi intensificado e o mindset de campeão foi se cristalizando torneio a torneio.

Sinner vencia seus demônios internos, cada vez mais consciente de seus talentos e possibilidades. Estava sendo talhado até em sua comunicação o que lhe ajuda muito em seu mental que já era de uma inteligência especial. Foi a seu tempo e não olhou para resultados de outros como o fenômeno Alcaraz.
Teve a sabedoria de trabalhar sem pressa ou comparações, desenvolvendo a certeza, força interior que o trabalho perfeito estava sendo executado. E está ai, Sinner número 1 do mundo.

Em minha opinião, Jannik veio para ficar muito tempo, aliás o tempo está a seu favor com apenas 22 anos, muitos Grand Slams virão, estamos apenas no início do espetáculo.
Escrevo logo após velo vencer Dimitrov e estar nas semifinais de Roland Garros. Agora enfrentando o próximo jogo, o gigante oponente que se repetirá por muitos anos, seu rival espanhol Carlos Alcaraz.
Jannik Sinner & Carlos Alcaraz will face each other in the Roland Garros Semifinals.
— The Tennis Letter (@TheTennisLetter) June 4, 2024
Their head to head is tied at 4-4.
Carlos won their most recent at Indian Wells.
The only time they played on clay was in Umag in 2022. Jannik won that match.
Jannik is 33-2 in 2024 and… pic.twitter.com/7ThmbcGB0s
Parabéns, Sinner e todo seu time!
Seguimos acompanhando. Até a próxima.







