A evolução dos treinamentos no tênis

Acho esse tema muito interessante pois tanto como jogador e depois como técnico, aprendi e observei demais esse assunto, no decorrer dos 49 anos que tenho uma raquete na mão. Na minha época de juvenil e depois como profissional, ficar muito tempo na quadra era requisito quase que obrigatório para se ter uma carreira de sucesso. Quando eu tinha 14 anos, havia decidido que jogaria tênis profissional, e a vontade que eu tinha era uma coisa louca, chegava a ficar treinando por períodos de 8 horas entre quadra e preparo físico. Essa mesma vontade se estende até hoje nas coisas que me proponho a fazer. Uma qualidade?

Muitas vezes não satisfeito, pedia a meu pai Eduardo quando chegava do trabalho, a atravessar a avenida Santo Amaro comigo e ir ao Clube Banespa, em que éramos sócios, soltar bolas para um determinado golpe que não tinha ficado satisfeito durante o dia. Na minha cabeça, teria que estar no mínimo entre os 100 do mundo até os 18 anos. Com 15 anos já tinha meus primeiros pontos na ATP.

A cobrança que eu me impunha era enorme, completando o ginásio naquela época, havia parado de estudar para poder dedicar-me exclusivamente ao tênis. Hoje recrimino totalmente que os jovens façam isso. A intensidade, vontade de treinar e jogar gigantes. Tive ótimos resultados como juvenil e depois como profissional, tive resultados e vitórias significantes e com 18 anos joguei a chave principal de Roland Garros e Australian Open.

Via caras da minha idade, fenômenos como Becker ou Wilander e treinava ainda mais. Em Roland Garros via mitos como Guilhermo Vilas, que treinava com 3 caras diferentes por dia. Também caras como Boris Becker que treinava 3 períodos de 1 hora e 30 min. Perguntei ao meu amigo Bob Brett, naquela época treinador de Becker, o por que treinava naquele sistema de 3 períodos. Ele me disse que o alemão rendia melhor desse jeito. Achei bem interessante e ia computando tudo que via.

Edu Oncins com seu treinador Paulo Cleto, que posteriormente treinou Luiz Mattar e Jaime Oncins

Apesar de sempre ter um físico privilegiado, minha cabeça era mais forte do que o físico aguentava e vieram as lesões. Fiquei praticamente 2 anos sem conseguir viajar por lesões e falta de dinheiro. Acabou o animo e parei com 24 anos de idade. Cedo nos dias de hoje né?

Poderia escrever por horas as coisas que vivi com o tênis, mas mencionei essas passagens para poder colocar minha forma de ver os treinamentos hoje em dia. Antes vários jogadores ficavam muito tempo na quadra e o desgaste era enorme. Depois ainda o preparo físico em cima. Nada como o preparo de hoje em dia, que evoluiu uma barbaridade, prolongando muito a carreira dos jogadores, exemplo dos que estão aí até bem depois dos 30 anos.

Naquela época, o cara aos 30 estava encerrando a carreira. O desgaste era muito maior. Hoje os treinos são mais pontuais e se adequam muito ao perfil da personalidade do jogador. Não significa que irá treinar pouco, mas um treino mais planejado, cuidando muito com o tratamento preventivo que existe hoje, evitando lesões e também o fantástico treino funcional, dando muito mais equilíbrio no preparo físico como um todo.

Com um treino de quadra mais planejado, o desgaste mental é bem menor. Depois de se alcançar um nível técnico elevado no profissional, o lado do preparo físico está sendo fundamental para os jogadores. Hoje em dia observamos caras enormes como o sul-africano Kevin Anderson que tem 2,03m de altura com uma movimentação fantástica. Antigamente caras desse tamanho eram totalmente desengonçados.

Anderson venceu Djokovic na Laver Cup 2018

Dica aos treinadores

Descubra qual o perfil de seu jogador para maximizar os treinos e obter os melhores resultados. Observe como ele pode render mais nos treinos, resultando em melhor performance nos torneios. Cuide muito do físico, pois irá refletir tanto no jogo em si, como no mental.

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