O Brasil realmente é abençoado. Ser atleta de alto rendimento no Brasil é ser sinônimo de herói.
As dificuldades são enormes e as distrações para os mais jovens são inúmeras. Ao mesmo tempo que temos um país abençoado e simpatia estampada na cara do povo, quando falamos em cultura esportiva, ainda mais falando de tênis, estamos a anos-luz de outros países mais desenvolvidos.
O povo tem uma enorme carência de ídolos e não sabe olhar com olhos que incentivam aos atletas de destaque que surgem. Talvez por não terem realizados seus sonhos pessoais, as frustrações são despejadas em quem está aparecendo. Ignorância esportiva, ou pura inveja.
Os absurdos comentários na redes sociais, isso inclui muitas vezes a pressão da imprensa também, a um garoto de apenas 18 anos, que o mundo e a própria ATP (Associação dos Tenistas Profissionais) trata com tanto cuidado, o que infelizmente não acontece aqui em terras tupiniquins.
João Fonseca surge como um grande sol, brilhando desde o juvenil e rapidamente em um curto espaço de tempo de praticamente uma temporada, salta de 300 do mundo para o Top 44 do mundo (no momento desta publicação). Um salto gigante, devido aos próprios méritos.

O ainda menino demonstra qualidades dignas de um jogador que está habituado ao circuito ATP Tour há muito tempo. Fonseca enfrenta grandes palcos como se já os tivesse experimentado inúmeras vezes, inclusive enfrentando jogadores da própria casa, como foi o caso de Wimbledon.
Sem dúvida, em minha opinião, João tem uma alma antiga que vem com uma bagagem e pronto para os desafios. O brasileiro tinha tudo para ser um jovem mimado, devido ao nível social familiar. Poderia estar indo a baladas curtir os amigos, mas opta em disputar um dos esportes mais difíceis do mundo, que exige dedicação absoluta e sacrifício significativos.
Sem dúvida um jovem diferenciado e dotado de uma mente madura e inteligente, diga-se por suas entrevistas concisas e objetivas, sabendo preservar sua individualidade. Bem trabalhado desde pequeno por seu treinador, Fonseca tem um mega talento fora da curva.
Possui todos os golpes e uma potência gigante onde pode deixar seus adversários a ver navios desferindo incríveis golpes, mesmo bem atrás da linha de base. Jogo está evoluindo em vários aspectos, e ele tem o tempo como seu grande aliado.

Somente 18 anos e grandes feitos, já vencendo torneios de grande relevância como o ATP 250 de Buenos Aires, onde bateu em fila todos os melhores jogadores da casa até a vitória e o título.
No Aberto da Austrália deu uma aula a Andrey Rublev, onde o russo parecia um simples
coadjuvante no jogo.
Nesse seu salto quântico entre os 50 melhores jogadores do mundo em seu primeiro ano de aprendizado nessa posição, as derrotas são muito mais importantes do que as vitórias. É onde ele está formando seus parâmetros e avaliando o caminho a evoluir rumo ao seu objetivo maior.
Logicamente tem aspectos a crescer e faz parte do processo, a mais importante em minha opinião é sua movimentação. Mas muita calma gente, ele tem somente 18 anos.
João possui a verdadeira humildade, onde avalia sua real possibilidade de se tornar número 1 do mundo.
Não é ego exacerbado e sim uma realidade de um jovem que em tão pouco tempo vem realizando proezas dignas e realistas, comparadas as realizações de várias lendas de nosso esporte.
Se tem alguém no circuito que pode colocar como objetivo e ter esse sonho fortalecido diariamente em ser um líder do ranking mundial, essa pessoa se chama: João Fonseca.
Abraços e até a próxima matéria!







