No circuito mundial do tênis, principalmente nos torneios menores, caminhando para os ATPs Challengers e acima, vemos muitos jogadores lutando pelas melhores posições ao longo do ano.
Um número enorme de jogadores mais talentosos ou menos talentosos, todos treinando muito e somente um menor número acaba se destacando e alcançando rankings de destaque.
Mas qual a razão que somente alguns conseguem? A famosa confiança.
A confiança aparece quando se consegue realizar o que é treinado sob pressão no jogo. Quando isso acontece, a solidificação do que se é treinado fica gravado como fogo na alma do jogador. O tenista sabe que realmente consegue realizar o que é proposto pelo seu treinador.
No jogo existem diversos fatores que podem influenciar a performance do atleta: Público, imprensa, amigos, família, patrocínios, pressão por resultados, etc. Quando o jogador é capaz mentalmente de isolar esses fatores e somente jogar dentro do que se é proposto, realizar e inclusive vencer, daí que a famosa chavinha mental vira positivamente.
Essa chavinha vira em diversos momentos de um tenista profissional com as exigências aumentando conforme sua escalada nos rankings. Tudo começa no juvenil onde inicia o aprendizado das competições e segue ao longo de toda a carreira.
Mais resultados e exposição, mais chavinhas precisam ser viradas. Um exemplo interessante a meu ver, vem de nossa gigante profissional Bia Haddad Maia. Em pouco mais de 3 anos virou diversas chavinhas vindo dos torneios menores até chegar ao posto de 10 do mundo.

O ano de 2023 consolidou sua chegada ao 10º posto e um novo mundo de exigências foram impostos em sua vida. O jogador leva um tempo para adaptar-se. É normal passar por algumas dúvidas e questionamentos com toda atenção que desperta nesse novo mundo que o cerca.
As cobranças mesmo que não diretamente impostas, são sentidas pelo atleta e cabe a ele firmar o correto referencial para performar o seu melhor. Momentos de muita pressão onde o atleta consegue bons resultados fazem a grande diferença. Esse momento, na Billie Jean King Cup, que aconteceu no Ibirapuera final de semana passado, pode ter sido uma grande chave que virou na cabeça da Bia.
No primeiro dia, Bia jogou a partida de abertura e demonstrou claramente muito nervosismo perdendo para a alemã Siegemund. Na sequência, Laura Pigossi, também perdeu num jogo duro, decidido no terceiro set para Tatjana Maria, e a Alemanha abriu 2 a 0 no confronto.
No segundo dia, Bia abriu o primeiro jogo com a obrigação de vencer e conquistar o primeiro ponto brasileiro, buscando o possível empate. As jogadoras entraram em quadra com o Ginásio lotado e todos gritando o nome da brasileira. Uma verdadeira panela de pressão.

Bia abriu 5/2 e acabou perdendo o set, mas atropelando e perdendo por ela mesma, cometendo erros. A partir do segundo set, em minha opinião, a chavinha começou a virar. A brasileira absorveu tudo que estava acontecendo, encontrou o equilíbrio e dose certa mental e emocional.
Claramente encontrou sua força interior que todos sambemos que possui e jogou tudo que sabia numa situação dificílima. Venceu a jogadora que havia perdido anteriormente, no torneio de Stuttgart na Alemanha. Em minha opinião, Bia reconfirmou que pode jogar seu melhor, com todo esse novo cenário que está aprendendo a conviver e faz parte.
Talvez esse importante evento, jogo e momento, tenha sido o necessário para que ela encontre seus melhores resultados. Vamos acompanhando a chavinha que para mim, virou.
Abraços e até a próxima.







