Desde que vi Jannik Sinner jogar pela primeira vez, tive a mais forte convicção que chegaria ao primeiro posto do ranking mundial. Assisti e até me surpreendi comentando sozinho em frente a televisão, que esse jogador que mal conhecia chegaria ao topo.
Na época, ele jogava o torneio em Milão dos jovens NextGen, ou nova geração de futuros profissionais que se destacariam no circuito. O italiano na época tinha somente 17 anos e jogava um tênis impressionante destacando-se muito dos demais participantes. Batia na bola com uma velocidade alucinante, vencia ou perdia os pontos pelos seus próprios atos. Deixava os adversários a ver navios, desferindo incríveis winners ou errava por conta própria.
Jannik Sinner making his debut at the 2024 Australian Open. 🇮🇹 pic.twitter.com/XbQ1tpFPuQ
— Relevant Tennis (@RelevantTennis) January 14, 2024
Desse torneio em Milão, comecei a acompanhá-lo e observar sua evolução, na torcida que tivesse a inteligência dos grandes, na escolha de quem iria conduzir seu aprimoramento como profissional. Dificilmente via algum adversário pressioná-lo na pancada. Começou a participar do circuito e em pouco tempo figurava pelos 60 melhores. Observava que faltava organizar aquela bazuca que muitas vezes estourava em momentos errados, faltava direcionamento, complementar e lapidar aquele diamante bruto que já brilhava, mas faltava polir mais para apresentar seu esplendor.
Mas Sinner crescia mesmo assim, com vitórias significativas, inclusive contra jogadores Top 10, mas faltavam mais ferramentas. Treinado há muito tempo pelo italiano Piatti e segundo treinador Volpini, sem dúvida com um mérito gigante, mas ainda faltavam complementos. Nessa época precisava canalizar melhor toda a potência e confiança que tinha disparando seus tiros mais potentes nos momentos adequados, saber trabalhar melhor e mais estratégico do fundo de quadra.
Awesome to be back @AustralianOpen pic.twitter.com/Sw28ZuBqtF
— Jannik Sinner (@janniksin) January 15, 2024
Outro aspecto era seu físico, que em jogos duros dava sinais de cansaço e foi motivo de algumas derrotas em jogos que se estendiam. Contratou Dalibor Sirola como preparador físico e Claudio Zimaglia como fisioterapeuta, um gol certeiro e vimos sua evolução física acontecer, ganhando mais músculos e resistência. Sinner é um grande esquiador, motivo pelo qual observamos como joga mais abaixado e tem excelente movimentação. Pernas rápidas e braços muito soltos e constantes. Mas faltavam detalhes.
Do meio da quadra para a frente, falhava, não se posicionava adequadamente e errava voleios que claramente não haviam sido tão desenvolvidos. Muitas vezes construía tudo certo do fundo da quadra, mas acabava falhando na conclusão mais a frente. Mesmo assim, já figurava entre os 15 do mundo há 2 anos atrás.
Muitos comentavam que ele era um bom jogador e que ficaria por ali preenchendo a chave e apresentando um belo tênis. Do meu lado, constantemente comentando a todos que estava somente vendo a ponta de um iceberg, Jannik tinha muito mais a apresentar e que era somente o inicio. Sempre na torcida, fiquei muito feliz quando foi incorporado ao time o australiano Darren Cahil.
Jannik Sinner with Andre Agassi & Darren Cahill in Melbourne.
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Quite a group. pic.twitter.com/WcW5tKLiB6
Darren é um treinador muito experiente e já havia treinado vários Tops, inclusive Simona Halep que foi número 1 do mundo. O australiano sabiamente, melhorou muito o saque, harmonizando o movimento e cadência, aumentando velocidade, colocação e altos percentuais de primeiros saques. Melhorou ainda mais seu jogo de base, criando mais opções como o drop shot certeiro, alternância de velocidades e deslocamentos de batidas das cruzadas para as paralelas e vice-versa. Descobriu os incríveis approachs e voleios que Sinner possui, mas que não haviam sido lapidados. E por fim, o mindset de campeão.
Acompanhamos ao vivo e a cores Jannik Sinner ganhar atitude e mental casca grossa torneio a torneio, exemplo contra Djokovic que havia perdido 3 vezes consecutivas, venceu na etapa de classificação de grupo do Finals em Turim, na Itália. Na sequência, se enfrentaram no mesmo torneio na final onde Djoko deu o troco, bateu o italiano e levou o título na experiência.
Certamente muita conversa com seu time, principalmente com Cahil, análises, observações e veio a semana seguinte Copa Davis em Málaga. Sinner salva 4 match points em um jogo absurdamente emocionante e total mental, bate Djokovic e leva a Itália participando também em duplas a VITÓRIA E TÍTULO DA COPA DAVIS.
Jannik Sinner aprende rápido, humilde, trabalhador, e com seus objetivos claros em conquistar o primeiro lugar no ranking. Neste 2024, vencerá em minha opinião um ou dois títulos de Grand Slam em qualquer piso que jogue, pois está completo. Conquistará seu objetivo maior e nós estaremos acompanhando seu espetáculo.
Um abraço a todos e até a próxima.







